Total.
um beijo grande
xOxO
========================================
Parte I -
Estava deitado, e pensava:
1 mil.... 2 mil.... 3 mil.... 4 mil
quatro segundos....
5 mil.... 6 mil....
o que vem depois do seis???
AHHH! QUE DOR!
MERDA!
My dear God.... where have I been?
A roupa branca alvejada com algo que a deixou extremamente impecável. Eu nem consegui acreditar na brancura daquele lugar. Levantei do que era uma maca, e ao olhar em volta vi seis pessoas ao meu redor, todos olhavam para mim, um deles, o que parecia mais carrancudo fixou os olhos em mim e disse algo que não entendi, caí na maca...
"Caucasiano..."
Ouvi uma voz de um desconhecido, parecia estar sendo falada num auto falante próximo a mim.
"... 1,82m, 81kg, olhos...." senti meus olhos doerem "castanhos-claros, cabelos pretos, aparentes 23 anos, corpo com condicionamento físico atlético, ossos dos ombros deslocados provavelmente devido à pratica de natação, escoliose muit branda..."
a voz prosseguiu, um dos homens a minha volta se aproximou de mim e tocou minha testa, senti um puxão no peito como se meu corpo estivesse sendo puxado por ali para fora de algum lugar. Caí ao chão meio tonto e levantei, estava num lugar diferente, olhei para frente havia um médico e um assistente, o médico falava a um gravador e eu reconheci sua voz como sendo a que havia escutado segundos antes. Ao me aproximar notei que... era meu corpo sobre a mesa. Uma mão puxou meu braço e logo eu reparei, que aquilo era algum tipo de necrotério. Não demorou muito para eu notar, estava morto. Também pudera... me lembrava de ter me suicidado pouco antes... ou de ter começado meu suicídio.
O homem que puxava o meu braço também estava todo de branco sorriu para mim. "Você se lembra?" disse entre dentes, num tom meio pergunta meio afirmação. Eu balancei a cabeça dizendo que não, ele tocou minha tempora com a mão esquerda e me fez fechar os olhos com a direita. Pude então me ver sentado no sofá da sala. Olhava todas as coisas em volta e segurando uma carta de despedida... abri o frasco que eu havia roubado do laboratório e o cheiro tomou conta da sala, tomei o ácido num único gole e deitei no sofá com a carta ao peito. Em segundos a dor fez eu arquear meu corpo e vomitar uma espuma branca no tapete persa de minha mãe, sentia os meus órgãos lutando para expulsar a substância enquanto meu sangue corria com dificuldade extrema e meu cérebro colapsava. Minhas mãos trêmulas seguravam meu abdômen que se contraía desesperadamente tentando em espasmos respirar e forçar o refluxo até que eu caí para o lado em meio ao vômito e sangue que saía do meu estômago e apaguei.
Estava de volta a sala do necrotério. O legista e o assistente, agora olhavam a minha boca por dentro e detalhes mais pessoas, que mesmo depois de morto me fizeram envergonhar-me. O homem ao meu lado sorriu novamente.
"Não se preocupe, quando tudo acabar voltaremos para te buscar..." acenou para mim e desapareceu.
Não entendi o que estava havendo até sentir uma pontada de dor na minha pele acima do esterno, fazendo uma linha transversal por cima do meu peito, levei a mão ao meu peito e tentava comprimir a dor com as minhas unhas, quando vi que o médico segurava um bisturi sobre meu corpo e realizava um corte na região em que eu sentia dor. "Por favor, pare!"
Obviamente ele não iria me ouvir.
O assistente entregou para o médico um aparato de metal que ele enfiou no corte e começou a girar algo, que não pude ver, pois minhas costelas começaram a se abrir enquanto o homem as afastava para chegar ao meu coração, caí sobre meus joelhos arqueando com a dor. "Filho da puta, pára! Me tira daqui!!"
O homem examinava meus órgãos internos e eu sentia o bisturi entrando e saindo da minha carne, enquanto o meu corpo morto jogava pra fora um sangue escuro e prosseguia plácido, o que devia se minha alma assistia minha autópsia sentindo a dor absurda daquele ato de vandalismo para com meu corpo. O médico cortou meu abdômen e tirou do caminho a pele enquanto futucava nas minhas entranhas e removia pedaços de coisas como fígado, baço, rins, estômago, para o que ele chamou de posteriores análises. A essa altura minha visão estava turva pela dor múltipla do meu corpo, se é que podia chamar de corpo e eu estava caído ao chão.
O sarcasmo em pessoa apareceu na minha frente vestido de branco e me estendeu a mão, não sabia se confiava nele, mas eu queria terminar com aquele ritual ridículo de auto-destruição e o médico começava a me costurar para me enfiar na gaveta, então sentindo o repuxar do meu abdomen aberto estendi a mão para o rapaz e senti novamente aquele puxão. Fui levado de volta para onde acordei da primeira vez. Estavam lá de volta todos os seis me encarando enquanto eu em posição fetal me aguentava com os resquíscios da dor de uma cirurgia (ainda que post mortem) sem anestesia. "Merda..." balbuciei e tive a impressão que senti um gosto forte de sangue podre na boca.
Um dos homens, nojento, sorriu e se aproximou. "Existem algumas implicações inerentes ao fato de ser um suicída." Obrigado, seu viado, pensei.... mas não disse, ainda era um morto educado apesar da experiência maravilhosa. "A primeira é que você carregará pela eternidade a marca do seu suicídio, sentira sempre em sua alma a impressão que causou ao seu corpo físico." Ótimo, babaca, pensei de novo... "a segunda é ser condenado a presenciar e sentir na sua... "pele" tudo que acontecer com seu corpo até que seja enterrado... e a terceira é que todos os anos, na data de sua morte vai reviver o dia de seu suicídio."
"Que seja..." a resposta saiu dos meus lábios sem que eu percebesse. "Ainda assim valeu a pena me sucidar... quando eu posso visitar a terra?"
Houve uma pausa silênciosa que me deixou um pouco constrangido, mas passou.
"Ouviu o que eu disse? Você é um suicída está condenado ao sofrimento, e ainda se preocupa em ir a Terra?"
"Sim.... e quem diabos é você afinal?"
"Alguns nos chamam de anjos, outros ceifadores, outros mentores, não importa... estamos aqui para guiar sua alma nos primeiros passos de sua nova... condição."
"Então me guie para a Terra!"
Eles se olharam por um instante e o carranca voltou a falar comigo. "Só estará completamente livre após o seu funeral, por agora, seu corpo ainda está na autópsia... você se suicidou e precisam descobrir como..."
"QUANDO?" Nunca foi da minha natureza interromper nem ser petulante enquanto vivo, mas se já estava morto, que mal faria?
"... pode ir após o enterro... até lá terá que acompanhar o seu corpo."
...... pensei... fiquei quieto e deitei... ainda doía onde provavelmente estava costurado agora...
"Você não entendeu?? Só te trouxemos aqui para explicar sua condição... você volta já para seu corpo?"
"Como assim? O médico me colocou numa gaveta...." Me virei para o carranca explicador e ele riu - filho da puta - mais uma vez.
"Que seja..." senti uma pontada de vitória na sua voz. "Assim ao menos terá tempo para pensar...."
Tocou minha testa mais uma vez e senti minha alma ser puxada de novo, agora estava deitado no frio e no escuro.... percebi que aquela gaveta de necrotério fedia... pareceu por alguns instantes que me suicidar não tinha sido tão fácil assim.... virei pro lado e esbarrei em meu próprio corpo...
Continua
- Humor:
Atropelado - Música:Counting Crows - Mr. Jones
"Eu quero um amor sujo e doentio
que me diga palavrão ao pé do ouvido
sussurre 'Puta, te amo mesmo que arredio!'
Saiba, tudo que conquistei sereno e lívido
foi com meu corpo tremendo e comovido,
e entre tuas pernas o meu líquido' "
Fechou o caderno, estava com calor. Abriu a janela. A brisa tocou sua pele. Arrepiada foi ao assento de sua poltrona, abriu as pernas.
Pegou o controle da teve. E com seus 43 anos acariciou o gato. Pensava 'meu filho já dorme, meu marido logo chega'. Ligou a tevê.
Começou a novela.
Uma cena de beijo acontecia.
Mudou de canal taciturna, ao colocar no telejornal
pensou... "só há na televisão pornografia gratuita".
Uma homenagem à todos os hipócritas, falsos pudorosos, pudicos, castos, moralistas e afins de plantão. Uma homenagem a vocês no Dia Internacional da Queda-de-máscaras.
Dispa-se. E mostre seus desejos.
"Os princípios da luxúria são fáceis de entender.
Faça o que sente. Sinta até o fim.
Os princípios da luxúria estão gravados na sua mente.
Faça o que quer. Faça até achar o amor."
- Enigma, Principles of lust
- Humor:
Sonambulismo
Tudo ao redor são rostos já conhecidos. Esses dias eu me peguei numa montanha russa sentimental e fiquei no fim das contas sem saber o que sentir. E as lágrimas vão enchendo seus copos.
Será que é ser tão materialista assim desejar tanto ter algo que você fica doente e triste quando se percebe incapaz de ter? Bem... se é eu assumo uma verdade que não havia me dado conta, sou extremamente materialista. Embora em minha defesa eu possa contar uma breve história. Sei, eu to cansado de ter sempre que bater na porta e descobrir que não posso entrar. O que quer dizer, que eu sempre chego ao limiar das coisas acontecerem e PANZ, elas não acontecem. Era sempre eu o cara que ficava de fora e à parte do mundo de todas as outras pessoas, enquanto todos os meus amigos comemoravam suas vitórias e conquistas materiais eu era o cara que descobria que eu não tinha conquistado nada daquilo... sempre me auto-convenci de que era porque eu era superior o suficiente para não me preocupar com essas conquistas... mas eu estava errado. Preocupo-me sim! Eu também quero ter a felicidade de desembrulhar meus presentes e descobri que tenho aquilo que quero e consigo aquilo que gosto! Será que fui um menino tão mal ao longo de todos os anos para não merecer nenhum presente de papai-noel ao longo de tanto tempo??
E olhando pra mim mesmo, acabei descobrindo que extrapolei minha vida baseada nessas mentiras que eu me contei, descobri que tudo que tenho foi uma sucessão de desilusões que eu engoli como se fosse apenas mais um passo para o engrandecimento, MAS NÃO ERAM! Eram só desilusões.
Gritei no travesseiro e mordi minha língua para ter motivos para chorar, porque TUDO que eu queria era ME convencer de que estava tudo bem enquanto NADA ESTAVA BEM!... EU nunca fui bom o suficiente, não é?
Sempre eu podia ter sido melhor...
Pra situar melhor as informações, tudo meu sempre foi atrasado, sempre fiquei pra trás de todas as outras pessoas...
Eu to cansado de tentar sempre ajudar os outros e não ter com quem desabafar sobre os meus problemas, e meus amigos que me desculpem, mas vocês não têm noção de como eu encaro as coisas sozinho... por que quando qualquer um de vocês está mal, eu sou o cara que vê isso e simplesmente oferece colo, mas se sou EU quem está mal as reações podem ser: 1) simplesmente não perceber ou 2) brigar comigo porque EU TENHO ESTADO AUSENTE... não amiguinho, eu não tenho estado ausente, nem sequer eu tenho me enclausurado por vontade própria, ou muito menos eu faltei aquele nosso compromisso porque eu quis... foi porque na última década meu mundo está de cabeça pra baixo! Eu estou em cima de uma montanha que está desabando e não apareceu nada que pudesse me socorrer, minha cabeça vai explodir e vai explodir em silêncio porque EU NÃO TENHO CORAGEM DE SUPLICAR A AJUDA QUE PRECISO... mas eu precisava de que a ajuda fosse voluntária...
Não quero mais ser cobrado pelas coisas que deixei de fazer... nem quero mais deixar de lamentar pelas coisas que não consegui... assumo: estou doente, e preciso de socorro. Mas no momento tudo que preciso é que me deixem em paz. TODOS.
Acho isso meio engraçado e até meio que triste, mas os sonhos em que eu estou morrendo são os melhores que tenho. Eu acho difícil de dizer ou difícil de agüentar mas quando as coisas desmoronam tudo que eu consigo imaginar é que o mundo é meio louco.
Agora desconsiderem isso, não quero falar sobre, nem preciso de tapas nas costas, só queria desabafar, de uma forma que eu tivesse certeza de que alguém ia ouvir.
Tudo ao redor são rostos já conhecidos. Esses dias eu me peguei numa montanha russa sentimental e fiquei no fim das contas sem saber o que sentir. E as lágrimas vão enchendo seus copos.
Será que é ser tão materialista assim desejar tanto ter algo que você fica doente e triste quando se percebe incapaz de ter? Bem... se é eu assumo uma verdade que não havia me dado conta, sou extremamente materialista. Embora em minha defesa eu possa contar uma breve história. Sabe, eu to cansado de ter sempre que bater na porta e descobrir que não posso entrar. O que quer dizer, que eu sempre chego no limiar das coisas acontecerem e PANZ, elas não acontecem. Era sempre eu o cara que ficava de fora e à parte do mundo de todas as outras pessoas, enquanto todos os meus amigos comemoravam suas vitórias e conquistas materiais eu era o cara que descobria que eu não tinha conquistado nada daquilo... sempre me auto-convenci de que era porque eu era superior o suficiente para não me preocupar com essas conquistas... mas eu estava errado. Me preocupo sim! Eu também quero ter a felicidade de desembrulhar meus presentes e descobri que tenho aquilo que quero e consigo aquilo que gosto! Será que fui um menino tão mal ao longo de todos os anos para não merecer nenhum presente de papai-noel ao longo de tanto tempo??
E olhando pra mim mesmo, acabei descobrindo que extrapolei minha vida baseada nessas mentiras que eu me contei, descobri que tudo que tenho foi uma sucessão de desilusões que eu engoli como se fosse apenas mais um passo para o engrandecimento MAS NÃO ERAM! Eram só desilusões.
Gritei no travesseiro e mordi minha língua para ter motivos para chorar, porque TUDO que eu queria era ME convencer de que estava tudo bem enquanto NADA ESTAVA BEM!... EU nunca fui bom o suficiente, não é?
Sempre eu podia ter sido melhor....
Pra situar melhor as informações, tudo meu sempre foi atrasado, sempre fiquei pra trás de todas as outras pessoas...
Eu to cansado de tentar sempre ajudar os outros e não ter com quem desabafar sobre os meus problemas, e meus amigos que me desculpem, mas vocês não tem noção de como eu encaro as coisas sozinho... por que quando qualquer um de vocês está mal, eu sou o cara que vê isso e simplesmente oferece colo, mas se sou EU quem está mal as reações podem ser simplesmente não perceber ou brigar comigo porque EU TENHO ESTADO AUSENTE..... não amiguinho, eu não tenho estado ausente, nem sequer eu tenho me enclausurado por vontade própria, ou muito menos eu faltei aquele nosso compromisso porque eu quis.... foi porque na última década meu mundo está de cabeça pra baixo! Eu estou em cima de uma montanha que está desabando e não apareceu nada que pudesse me socorrer, minha cabeça vai explodir e vai explodir em silêncio porque EU NÃO TENHO CORAGEM DE SUPLICAR A AJUDA QUE PRECISO... mas eu precisava de que a ajuda fosse voluntária...
Não quero mais ser cobrado pelas coisas que deixei de fazer.... nem quero mais deixar de lamentar pelas coisas que não consegui... assumo: estou doente, e preciso de socorro. Mas no momento tudo que preciso é que me deixem em paz. TODOS.
Acho isso meio engraçado e até meio que triste, mas os sonhos em que eu estou morrendo são os melhores que tenho. Eu acho difícil de dizer ou difícil de aguentar mas quando as coisas desmoronam tudo que eu consigo imaginar é que o mundo é meio louco.
Agora desconsiderem isso, não quero falar sobre, nem preciso de tapas nas costas, só queria desabafar, de uma forma que eu tivesse certeza de que alguém ia ouvir.
- Humor:
triste
Há dez dias você se tornou minha vida.
E há dez dias minha vida é você.
Hoje meus lençóis ficarão marcados com lágrimas, suor e felicidade
e meu coração ficará marcado com amor.
Faltam quatro horas para amanhã,
mas o dia não vai passar antes que eu o deixe.
Você, agora, está dentro de mim;
eu, agora, estou dentro de você.
E jamais esqueceremos.
E como a felicidade não tem forma,
um soneto não precisa de regras.
Tudo o que precisamos saber está em nós.
É a primeira vez que o brilho eterno da mente
será feito de lembranças.
Cada prece atendida, cada desejo realizado.
- Humor:
(l) - Música:Lifehouse - Everything
As sem razões do amor
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Precisei roubar as palavras. Li, re-li e dei mais uma lida boa no dicionário e fiquei sem as palavras que precisava. Procurei, procurei e não fui capaz de expressar linhas tão simples e modestas... um espelho de um coração que agora é meu.
Nunca fui assim. Sempre fui o outro lado do poema, o lado do que sofre, mas agora estou na linha dos felizes, na linha dos amantes. E o poema acaba por ser meu, mesmo tendo sido escrito por outro, porque amor é estado de graça, e de tudo eu acho graça, graças... graças à você.
E foi você que mudou meu mundo, que me deu um mundo. Agradeço então ao mundo que me deu você. Agora estou feliz e contente e feliz e contente e novamente feliz e mais uma vez contente.
...
Acabei por perceber. Que nem se eu roubasse todos os poemas do mundo, eu seria capaz de roubar uma linha que significasse você.
Hente, Hendenúra
- Humor:
Amante
Imagine que nas férias não sai nada de útil da cabeça de ninguém... isso também é uma prova de que em tempos a gente é superprodutivo... este poema foi escrito (de acordo com a nova regra) no trabalho de campo de mamíferos pequenos em Aldeia Velha.. demorei, mas postei...
Sobre acampamento e libido
(de Gabriel Velasco)
Frio
Noite
Solidão
BARRACA
Sexo...
Sexo!
SEXO
Calor
.... Suor!
zzzzzzzzzzzzz
- Local:Aldeia Velha
- Humor:
HADuhasdhuahsdu - Música:Alanis Morissette - You Learn (Acoustic)
Escrevi esse rascunho durante uma ida e volta de metrô da zona sul... descobri que é bastante usual esse horário e utilizare mais vezes. Transcrevi o rascunho (com as devidas correções ortográficas para a nova regra e de gramatica) e não fiz alterações no texto que saiu no metro... achei super interessante vamos ver o que vocês acham.
XoXo
Carta
Minha querida Caroline,
Posso sentir sua tristeza. Espero que você guarde esta carta com você por muitos anos, hoje você tem sete, mas algum dia será uma moça adulta e irá ler este papel com outros olhos. Seguro-me nesta esperança e pretendo não deixar os meus dias finais aqui se acabarem sem eu saber que, se não hoje, algum dia vai me perdoar, ou ao menos aceitar.
Aqui é bastante frio, solitário e escuro; você não vai se lembrar em alguns anos, mas eu sempre gostei de cores, aqui neste lugar todas as cores parecem desaparecer. Não consigo olhar ao redor. Não consigo chegar à minha própria carne, tanto menos consigo alcançar minh'alma. Acho que também já não sinto meus sentidos. Lembro-me de ao chegar ter visto uma praia, mas já não ouço o mar, e nem me lembro se quando cheguei eu o ouvia; também já não sei mais se é dia ou noite, mas pelas minhas contas o aniversário de Catherine será em pouco tempo.
Querida, tudo vai embora um dia. Acredito nisso. Eu não pararia de lutar se não soubesse que havia ainda uma chance, foi o único jeito que encontrei de terminar com tudo. Você pode pensar agora que não me doía, que não me machucava assistir passivamente todos os dias cenas que em minha mente são meus pesadelos. Ainda trago no corpo as marcas do dia-a-dia que vivi. Doeu muito sacrificar tudo em nome do que te ofereço agora, mas essa dor, ao contrário da convivência perpétua com a maldade, tem um fim; e não se prolonga. Fui forçada a chegar ao ponto sem volta, forçada a desistir.
Se algum dia quando estiver lendo esta carta você a decidir rasgar, por fogo e esquecer para sempre de mim eu vou entender. E que se não me perdoe eu saberei que você estará bem, mas me doeria eternamente que você jamais soubesse que fui forçada a desistir, e que não foi em vão. Aliás, só o tempo irá dizer se foi tudo em vão.
Posso sentir sua mágoa e sua tristeza, mas eu sei que você ficará bem.
Você me disse que eu era fria. O que mais eu posso fazer quanto a isso? Vi suas lágrimas escorrendo no rosto no momento em que viu o desfecho da história, e suas palavras... Você dizendo que sou fria. Eu não posso lhe dizer as razões, mas fiz tudo por você!
Oh, querida Carol, eu não posso explicar tudo agora... Mas algum dia você vai entender que mentiras começam a se tornar verdades, eu me sacrifiquei por você. E você disse que sou fria. O que me resta a fazer?
Eu matei o seu pai, meu marido, mas algum dia eu espero que você entenda. Por favor, algum dia me perdoe.
Carol, querida, eu não estarei mais aqui, então confie no Vigário para qualquer coisa que precisar; seja boazinha com os seus tios e não arranje brigas com seus primos. Estarei te vigiando e te amando hoje e sempre.
Com todo amor que posso desejar a alguém,
Mamãe.
Caro Vigário Wilhelm,
Obrigado pela presteza de me ajudar em momentos tão difíceis. Por favor, cuide bem de minha criança, entregue a carta que vai junto desta para ela apenas quando ela estiver mais calma; não deixe que falem para ela palavras ruins, e também não a deixe vir assistir, e se possível que ela sequer tome conhecimento da execução.
Também gostaria que o senhor não contasse a ela que o pai queria abusar dela, acho que a única coisa que a resta é a imagem do bom homem que era o seu pai; ao menos não por agora.
Por favor, reze pela minh'alma e pela minha querida criança. Que deus abençoe a todos nós.
Atenciosamente,
Beatriz Goldrajch.
- Humor:
ó.ò - Música:Panic! At the Disco - But It's Better If You Do
Eu cresci, sem desesperadamente saber o que fazer. Numa sucessão de fracassos e acertos errados escalando, escalando até chegar a metade da montanha. Olhei para baixo e vi que nada na paisagem havia mudado desde muito tempo. Sentei, olhei ao redor... Deitei no chão gelado e adormeci. Sonhei. E no sonho como em todos os sonhos, lá estava eu, mas com outra forma.
Estou cansado, sempre estou cansado. Estou com fome, sedento e aborrecido. Tomaram-me 20 anos sem que eu pudesse gritar e reclamar. Hoje eu sei que nada foi feito em vão, mas tudo se esvaneceu. Perdi míseras cento e setenta e cinco mil quinhentas e setenta horas, incluindo horas de sono mal dormidas, pensando em como eu sou pobre e inútil.
Foram 20 anos de momentos muito importantes e inadiáveis que simplesmente consumiam todo o tempo. 20 anos de momentos inoportunos para conversas relevantes. 20 anos de adiamentos. 20 anos de sufoco. 20 anos de sofrimento. 20 anos de doenças. 20 anos de letras solitárias. 20 anos de notas desafinadas. 20 anos de parágrafos sem ponto. 20 anos de sentinelas derrotados. 20 anos de paixões destrutivas. 20 anos de suicídios constantes. 20 anos de neblina.
Numa cronologia inexata: fui pintor, dançarino, ator, cantor, pianista, modelo, matemático, filósofo, escritor, desenhista de animação, fotógrafo, tenista, nadador, triatleta, turista, soldado, voluntário, vestibulando, universitário e por fim estagiário.
Já matei um cachorro, já cacei lagartos, já pus fogo em formigueiros. Já cuidei de passarinhos feridos, já salvei cachorros de rua.
Já fiz sexo por dinheiro, já usei uma pessoa. Já me apaixonei à primeira vista, já sofri por amor.
Metamorfoseio em cinco segundos de boa pessoa à cavalo bravo. Dou patadas a torto e a direito e seguro mãos para dar consolo.
Fui taxado de gênio no jardim de infância.
Fui chamado de lerdo na alfabetização.
Números: em 20 anos me apaixonei exatas 36 vezes, amei 3. Escrevi 2 peças de teatro, 4 livros não publicados, 3 músicas, 23 poesias, 34 contos, 7 diários e 1 livro de lugar-comum. Li 103 livros em português, 5 em inglês, 1 em francês. Ouvi 136 álbuns inteiros, 6 concertos de música clássica, 7 shows. Assisti 37 filmes no cinema, 159 em vhs e 183 em dvd.
Acima, as únicas contagens inexatas são as dos filmes... Tudo graças a minha obsessão compulsiva por escrever meus dias... E lê-los depois nostalgicamente, punitivamente.
Poderia dar outros números como o número de vezes em que fiz sexo, ou número de vezes em que tomei cerveja, mas não acho tão didáticos.
Aos vencedores as batatas e aos meus amigos a minha vida. Um prêmio tão idiota quanto, por tanto esforço.
Foram 20 anos longos... Exaustivos, carregados... Musicais e tragicômicos. Com gosto entre o chocolate e o vinho. Senti peso. Abracei dias. Corri de sombras. Enfim, estou andando por aí. Esperando mais vinte... Para ler isso e chorar de saudade, do tempo em que minhas preocupações eram tão poucas.
Você deve estar se preocupando como estou atualmente... Estou bem. Estou confortável, não, não estou feliz... Dizer que estou feliz é ser otimista demais. Mas estou bem. Estou amando, sim amo muito, mas não sou retribuído na media em que gostaria desta vez no entando estou mais maduro e tento lidar com isso da melhor forma. Tenho alguns planos para o futuro, nenhum dinheiro no banco, e uma pilha de livros para ler. Amo muito minha família, apesar de todas as coisas e venho aprendendo como conviver com eles. Deus? Sim, sim está por aqui em algum lugar.
Tenho que ir agora... Até.
E acordei, suando... Olhei no relógio, passava das duas da manhã... Já tinha feito aniversário.
(este texto foi escrito seguino o novo acordo ortográfico)
- Humor:
gosmento - Música:Creed - With arms wide open
Chega...
com a luz...
Me diga uma...
vez mais...
Meu sangue...
sua linha...
É você, aí dentro?
Morte...
Aos que vivem...
A chama não tem coração vivo.
O homem abriu a porta e apagou o cigarro antes de entrar na casa. Já haviam colocado os tradicionais números em tudo que podia ser uma pista, a equipe de fotógrafos terminava o seu trabalho e tiravam as últimas fotos do andar de baixo. Na escada marcas de sangue com a forma das solas do sapato de quem quer que estivera ali antes. O detetive subiu as escadas, era chamado em casos muito complicados, ou muito escandalosos, graças a sua habilidade de solucinar os crimes muito rapidamente.
A porta do quarto estava aberta. Ele entrou.
Na seqüência, da vida, eles sabem e está aí...
Conforme você vê, seu plano, um tiro no escuro...
Veio um pouco, tarde demais...
Acabou!
Ele ouvia os sussurros. Não conseguia ver onde ela estava, só via o seu corpo sobre a cama, numa cena brutal e pitoresca da mente de alguém. "Eu vim para te ajudar..."
Chamando, as crianças...
Concepção, e morte...
Silêncio, porém grito!
Se sentou num canto do quarto, olhou para frente e depois fechou os olhos.
Estrago feito à carne, o que ele disseram, pelo nome de...
Estrago feito ao coração, é o começo, do fim!
Estrago feito à minh'alma, eu sei, isso sae onde meu...
Estrago feito à minha vida, amaldiçoando, para o caos!
E num segundo ele se levantou. Ver aquelas cenas pavorosas na mente dele mais uma vez, foi de mal gosto... muito mal gosto. Já havia visto assassinatos antes, mas assassinatos cruéis como aquele, em que pegavam alguém indefeso, era cruel.
Antes de descer a escada o espírito da garota deu mais um suspiro.
Uma alma a mais para o chamado, para todos, em silêncio...
Vem duas almas a mais para o chamado, para todos, e em tempo!
Três mas almas para o chamado, eles caem...
Sem saber que quatro almas para o chamado, não será tudo, e você sabe!
Baseado na obra Silent Hil Homecoming.
- Local:Silent Hill
- Humor:
7 days.... - Música:Akira Yamaoka - Room of Angel
Estou usando o Internet Explorer 8, direitos de publicação livres, mas de vez em quando o teclado trava e fica foda de digitar as coisas com o navegador aberto.
Enfim... vamos ao que importa....
Cantor e Mascarenhas
Henrique Cantor. Não, eu não canto mas esse é meu nome. Sentei no sofá dele, era legal como a casa tinha um cheirinho de eucalipto lá no fundo, não fazia mal ao nariz, e na verdade criava até uma sensação de alívio ao respirar... esfregava uma mão na outra e senti vontade de tirar o cachecol, foi mais ou menos na mesma hora que ele voltou trazendo duas cervejas, era engraçado, se fossemos um casal seria vinho e duas taças, mas éramos dois homens então eram duas cervejas... "Ainda não sei seu nome..."
Ele me olhou meio na dúvida enquanto me passava a minha cerveja. "Mas você já sabe meu nome, falam antes do show.." ele sorriu, eu sorri.
"Não é sério, quero saber seu nome de verdade, não seu nome de gogo boy, Mr. Truck" ele sorriu mais, abriu a lata deu uns goles e sentou.
"Eduardo..." fiquei em silêncio, segurando a lata, e ele entendeu que deveria prosseguir. "... Mascarenhas, Eduardo Mascarenhas"
"Agora nos conhecemos." Abri a lata de cerveja e tomei um gole, não que eu não gostasse do gosto amargo mas o primeiro gole de uma Budweiser sempre te faz repensar a idéia da cerveja. Tomei o segundo e logo me reacostumei. "Sabe, eu só assisti seu show porque você era diferente dos outros... você é o único que não tira sua roupa..." Agora ele gargalhou, eu ri também, já estava me sentindo à vontade, estávamos os dois.
"Eu sei... mas a intenção é fazer as pessoas sentirem tesão, se consigo fazer isso sem tirar a roupa... que seja..."
"Eu... nem sei como te agradecer."
"Não tem nada, cara. Quando eu cheguei aqui eu fiquei na merda também, sabe, a gente pensa que cidade significa oportunidades... você descobre que ou vira uma puta, ou vira um porteiro. Eu nunca tive vocação pra ser pobre... então a primeira coisa que fiz quando cheguei aqui foi alugar meu corpo... não ri! É sério.. não vendi, aluguei... desde sempre eu dançava em boates, era muito bom nisso... aí agora meio que virou uma coisa de luxo, alugo o apê e boto gasolina no carro e comida na mesa com isso... roupas, eu nunca tive problema... coisa fácil é ganhar presente de velha rica... uma vez eu vendi um relógio que ganhei e paguei o aluguel de três meses" Agora foi ele quem se interrompeu para rir. "Mas não me orgulho... sei que vou envelhecer e ficar feio um dia e preciso saber fazer algo útil pro mundo..."
"E o que você queria fazer?"
"Quando eu era menor... não ri!"
"Prometo" mas eu ri antes e ele relaxou.
"Eu queria ser enfermeiro, mas meu pai não queria... queria que eu fosse policial. Meti o pé, e vim pro Rio."
"E agora você é uma puta da Atlântica... wow..."
"Se eu soubesse que você era sarcástico assim tinha te deixado na rua." Ambos rimos muito. Batemos papos por horas falando sobre a vida dos dois, e principalmente sobre os eventos em comum que me fizeram sair do interior do estado e ele do interior de quatro estados de distância.
"Você não tem sotaque de gaúcho..."
"A gente se acostuma depois de seis anos... cara to pregado, vo tomar um banho e dormir. Fica à vontade, olha, ali é a cozinha, lá é o quarto e o banheiro..." ele levantou e fez sinal para que o acompanhasse para mostrar o resto da casa. "Aqui no armário ficam toalhas limpas, ali tem sabonete, xampú, tudo que precisará fica ali, pode fuxicar meu armário e catar algo pra você vestir..." ele continuou falando, mas minha cabeça viajou no fato de aquele cara ter me acolhido sem fazer perguntas quando minha grana foi pra casa do cacete e eu já estava totalmente ferrado.
Morava numa região de fazendas, aliás havia acabado de passar pra faculdade de agronomia, quando fui expulso de casa. Vim para o Rio de Janeiro. Não tinha quase nenhuma grana então fiz programa na primeira semana para comer, mas um dia, eu estava tentando dormir na praia e uns caras vieram e levaram minhas coisas, deixaram apenas meus documentos e a roupa do corpo. Não eles não eram ladrões, pelas roupas que usavam eles definitivamente não precisariam das minhas coisas que eram das mais baratas... fizeram de sacanagem mesmo. Tenho certeza. Foi quando eu encontrei o Eduardo, indo para a noite como Mr. Truck... ele me levou com ele e eu pude comer algo... imagine só, entrar numa boate para comer... mas foi o que fiz. Agora estávamos aqui, conversando e batendo papo e ele já me dando dicas de como arranjar um emprego. " ... e bem só tem uma cama aqui. Se quiser dormir no sofá, fica a vontade, mas se quiser dormir na cama, essa é a única da casa... bom vo pro banho. Fica na paz." Ele foi sem esperar resposta, fiquei sentado na cama olhando para a janela, pensei em chorar mas não estava tão afim assim... Ele deixou a porta do banheiro aberta, eu deitei na cama. Um tempo depois, e eu acho que cochilei ele já saiu vestido de dentro do banheiro.
Era minha vez de ir tomar banho, água quente, espuma, cheiro de essência de plantas... tudo isso salva a vida de um homem após eventos desastrosos.
Conversamos pouco depois que saí do banho. Ele estava muito cansado e pediu para dormir, tirou a camiseta com vergonha e se deitou na cama, eu estava me preparando para levantar para ir pro sofá quando vi o reflexo dele no espelho, tinha costas tão lindas quanto o resto do corpo, mas marcadas por várias cicatrizes. Ele percebeu quando fiquei estático...
"Quando eu disse que meu pai tentava me convencer a ser um policial, ele... tinha uma abordagem um tanto calorosa."
"Oh... eu nem... sinto muito..."
"Sabe Rick... quando eu sentia dor, a única coisa que eu pensava era quando eu não iria mais sentir aquilo. E eu descobri que a vida podia ser bem legal... não sei o que há de errado com o mundo, que força um cara como você a vagar pela rua ou que faz uma criança apanhar... mas eu sei que ainda tem jeito. Agora relaxa, e pode dormir aqui se quiser, aliás, eu até que gostaria de um pouco de companhia de travesseiro."
Deitamos na cama, e conversamos mais, sem se dar conta de cansaço nem hora... dormimos e no dia seguinte conversamos mais, arranjei um emprego, conversamos mais por muito tempo... e estamos conversando, dormindo e bebendo Budweiser juntos há dez anos agora. Sem cicatrizes pra lembrar.
- Local:Never-never
- Humor:
=D
E eu estava devendo isso...
adoro essa música velhaca e resolvi postar um vídeo com ela no youtube pra vcs
enfim
Feliz dia dos namorados!
- Local:Maryland
- Humor:
(L)
Uma nota apenas para começar...
Quando for abraçar, abrace com vontade.
Aquele abraço aquecedor, que faz o frio ir para longe das vistas,
que faz o sangue ferver, os lábios corarem e os olhos molharem;
dos abraços vão se lembrar...
La première pierre, de Gabriel Baudelaire
Faz muitos e muitos anos, existia uma terra desértica onde incrustada em sua região mais ao norte se situava um vilarejo de pobres criadores de cabras, filha e mãe de camponeses, pobre e muito bonita.
Aos dezessete anos, Miryam era praticamente a senhora de sua casa, sua mãe já muito velha aos quarenta não dava mais conta de todo o serviço da casa, era a mais nova das mulheres filhas do casal, e a única que ainda não casara, viviam agora na casa apenas Miryam, seu pai, sua mãe e dois irmãos que cuidavam da terra e do pequeno rebanho. A propriedade de sua família ficava próxima a um poço, o único da região e a visita de mercadores, mascates, viajantes solitários e comitivas eram freqüentes e também eram freqüentes - mais por uma questão cordial do que propriamente comercial - que estes oferecessem presentes em troca da hospitalidade. Foi na época mais quente do ano, que a comitiva de Yonah passou por lá, Yonah era um senhor de terras muito ao sul próximas ao vale que cercavam o grande rio, era rico, tinha posses, uma esposa e três filhos já criados, era homem feito, bravio e letrado dentro de suas possibilidades. Quando se instalou nas redondezas das terras de Miryam com sua comitiva, ele se apaixonou por ela, e ela se sentiu atraída por ele.
Fizeram amor.
E se amaram depois.
Miryam foi com Yonah, vivendo aos outros olhos como sua serva pessoal, e dentro de si como sua esposa legítima, pois Yonah se casara forçado e não amava outra mulher se não Miryam. Dois anos depois tiveram um filho; e como Miryam não era casada foi chamada de prostituta; e condenada à punição normal de apedrejamento. Por puro sarcasmo daquilo que chamamos destino tudo veio aos olhos do povo exatamente no dia em que Miryam e Yonah haviam se amado a primeira vez.
Miryam caiu no chão, poucas lágrimas escorriam de seus olhos como uma saudade antecipada, estava triste também por estar desarrumada e em seus trajes mais íntimos. Olhou para frente e fechou os olhos, fazendo uma oração. Sabendo que o pecado que cometera fora o pior de todos: amar.
Foi quando atiraram a primeira pedra.
Yonah e seu filho Yonatan desapareceram naquela manhã. Yonah viveu exatos quinze anos, isolado num monte de um reino vizinho criando mulas, apenas criou e alimentou seu filho, e então morreu sem lamentar... Desta vez, Yonah que se atirou as pedras.
E foram as pedras quem uniram os dois novamente.
- Local:quartinho
- Humor:
Art!!! - Música:Pitty - Teto de Vidro
Dedico este texto à Flor, é claro, que estava conversando comigo... dedico também ao Moonwalker que gosto de graça apesar de me ignorar, e ao chato estressado do Willian.
=)
A todos boa leitura!!!
Sobre beleza, dinheiro e fama: coisas que realmente importam e afins.
Flor diz:
Cara, minha mãe fez bolo de banana com calda e comprou sorvete e coca cola
Flor diz:
Sério, estou à base de sopa e salada a semana toda
Banana
E ta uma super tentação
Gabrielzius > diz:
Ah
Putz vacilo
mas amiga
come e vomita o.o
Flor diz:
hahahahahahhahhahahahahahahahahahahahaha
Foi a melhor
Gabrielzius > diz:
ahsudahdashus
Flor diz:
Se eu vomitar tenho certeza q sobrarão resquícios de açúcar na minha barriga
Gabrielzius > diz:
ahduAHSDUHADuads
Ok
Dica
Vc confia em mim?
Flor diz:
Claro
Gabrielzius > diz:
Então
Tem iogurte natural aí?
Flor diz:
Sei la
Tem sim
Light ainda por cima
Gabrielzius > diz:
Ok
Tem aveia?
Flor diz:
Tem granola
Daqui ha pouco ce me manda uma receita de biscoito hahahhaha
Gabrielzius > diz:
Ahsduadhuadasd
Então
Um copo de iogurte natural, 5 colheres de granola
Ideal seria aveia, mas já q não tem... Mistura tudo e come
Meia hora depois vc tah pronta para comer o açúcar q quiser em quantidades moderadas
Flor diz:
Quem disse isso?
Seu orientador?
Gabrielziuz > Diz:
Non
Flor diz:
Wikipédia?
Gabrielziuz > diz:
uma crítica de restaurantes
Flor diz:
nossa como vc e culto
acho q vou vomitar mesmo
Gabrielziuz > diz:
xD
ahsuhha
sério
ela era macérrima
Gabrielziuz > diz:
aí o entrevistador perguntou "como vc faz"
e ela explicou esse truque
Flor diz:
hahahahahhahahahahah
adorei a dica
tem q esperar meia hora ne?
Gabrielzius > silencioso... diz:
sim
e tb não adianta fazer pra comer o mundo
tem q manerar
Flor diz:
hhahahahahahaahahha
então não serve pra mim
Gabrielzius > silencioso... diz:
ashuhuasd
serve numa emergência que acontecerá meia hora depois ashudhs
tipo.. se vc vai numa festa...
eh massacrante
mas não se vc tem iogurte natural e aveia
ashduadhds
Flor diz:
hahahahahaha nunca vou me esquecer disso
vou ensinar pra minha filha e falar pra ela não ensinar pras amigas delas pra ela ser a mais magra e popular do colégio
Gabrielzius > silencioso... diz:
ela será cheerleader
Flor diz:
certamente
Gabrielzius > silencioso... diz:
e vai namorar o capitão do time
Flor diz:
pois eh, ai vai vir um nerd e vai fazer ela se apaixonar por ele
e ai ele vai virar o mais descolado e popular
e o capitão do time vai humilhar o muleke pra conseguir minha filha de volta
ai eu vou dizer q o q importa e o amor verdadeiro
A transferência de "POUGH et al., A Vida dos Vertebrados.part02.rar" está concluída.
Flor diz:
e ai ela vai ficar com o capitão do time
Gabrielzius > silencioso... diz:
pq ela não é burra e sabe que o que importa e dinheiro, beleza e popularidade
Flor diz:
exatamente
Gabrielzius > silencioso... diz:
veja os exemplos da história
Flor diz:
sim sim
Gabrielzius > silencioso... diz:
Jesus, era bonito, popular... mas não tinha dinheiro: crucificaram
Hitler, tinha dinheiro, era popular... Mas não tinha beleza: perdeu a guerra
Flor diz:
Sério, muito bom
- Local:bedroom
- Humor:
lalala - Música:Red Hot Chilli Pepers - Under The Bridge
Diferentemente do que você pode pensar ao ler falseamento, falseabilidade esse post não é sobre pessoas falsas; ao contrário, sobre as verdadeiras.
Falseamento é um recusro utilizado pela ciência para corroborar ou não uma teoria científica... basicamente uma idéia é posta a prova, várias delas, tão cruéis e insanas quanto a mente dos falsificacionistas puderem imaginar... se ela superar todas as provas intacta ela é admitida, se não... é falseada, mas toda teoria científica tem que ter falseabilidade, ou seja, tem que dar margem para a dúvida e para os testes...
Imagine... você luta para ser verdadeiro, luta para conquistar seu espaço, mas sempre deixando margem para seu espaço ser roubado... neste aspecto o falseamento não é muito diferente de dia-adia. Neste momento estou exortando reações, por favor não pensem que sou de todo desalmado, ainda me resta alguma consciência a ser utilizada e também... um pouco de excomunhão não pode fazer tão mal assim.
Me perdoem, mas este texto tem mais um caráter de "análise" textual do que de "construção" própriamente dita... fiquei tão abismado com algo que li, que não pude deixar de fazer este imenso comentário...
A quem quiser ler o texto original ele pode ser encontrado aqui em Ironic Violet Toast.
"Pela maior parte das vezes a pessoa que te acolhe eh tambem a que te fere. Me peguei pensando nisso...estou gostando de alguem, uma paixao irracional e idiota..." (risos)
Por que tem que rir né? Não é na maior parte das vezes... é sempre! Cara, como as pessoas são injustas com todos... até quem amam! E invariavelmente a gente se machuca mutuamente e perpetuamos na espécie um ciclo vicioso de idiotas angustiados! Machucar membros de sua convivência e pessoas das quais VOCÊ PRECISA é uma característica inata do ser humano... me pergunto, a quoi ça sert l'amour?
"indiretamente as pessoas causam machucados, torcoes e arrepios sem ter nocao do que estao fazendo. Algumas vezes mesmo cientes do fato de que alguem tem sentimentos por elas (sim, no meu caso ele percebeu...)." Dude... o que foi isso? Obrigado por finalmente alguém dar a cara a tapa para dizer o que está entalado na goela de muitos! Por que TODOS são manipuladores? E só gostam daquilo que têm nas mãos enquanto serve... e querem sempre aquilo que está fora de alcance?
"Sim, eh triste e no minimo frustrante...nao sei lidar com isso...acho amor algo extrememante perigoso, medonho e asfixiante..." Acho que não tenho mais nada a dizer...
Enfim, se algum dia alguém achar que valha a pena...
Obrigado amigos por chegar até o final da leitura.
G. Baudelaire.
- Humor:
aff - Música:The Cranberries - Linger
Foi um grande período, eu acho. Deliberando e sofrendo com coisas de um interior sombrio e doloroso. Sem saber direito o que fazer, sem saber o que deixar ser feito. Estive muito ocupado com as coisas da faculdade, perdido entre fitoterápicos, alcalóides, tegumentos, taxonomia, batráquios, lagartos, dinossauros, serpentiformes, turgidez celular... etc.
Olhando em volta me vi atolado num bando de papel, com canetas e lápises em minhas mãos sem poder rabiscar as palavras que eu tanto queria... o MemoTs passou a fazer parte de minha vida, parte de meu ser existencial, e também doía um tanto não conseguir ler as palavras dos meus amigos aí do outro lado.
Vim então avisar que: estou de volta, caros amigos.
Perdoem o tempo afastado de tudo e todos, mas tentarei, tudo ao seu tempo, recompensá-los.
Abraços carinhosos.
G. B.
- Humor:
^^ - Música:Alanis Morissette - Hand in My Pocket
Queria ser tão bom em ciência, em poesia e em arte quanto eu sou em dormir. Em dormir sou um atleta maravilhoso, treino todos os dias, várias horas seguidas, e fico esperando no dia em que serei tão bom em dormir que vou poder fazer isso para o resto do tempo.
Aliás, alguém que vê o tempo como eu, da forma lenta e escorregadia - meio lesmóide - como uma entidade que foge por entre os dedos quanto mais se aperta, mas que cresce e toma espaço se deixada solta, percebe logo que algo está no lugar onde deveria quando simplesmente existe. Aquilo que julgo como errado, não passa na verdade de ponto de vista. As long as we don't have uma real percepção do todo, o todo slip through our fingers.
Depois de tanto tempo de ócio o cérebro só produziu isso, prometo voltar a ativa em breve!
- Humor:
lixo
- Humor:
ó.ò - Música:Shakira - Antología
Ódio é uma palavra forte. De um único significado e que exprime o mais baixo sentimento humano. Mas sinto ódio, hoje e alguns outros tantos dias. "Odeio a quem em oferece companhia para me tirar da solidão e no entanto me deixa mais só", do que sozinho. A duras penas e com muito custo aprendi que ser livre e ser dono de si significa poder ser só, pois aquele que não pode ser só nasceu escravo de seus próprios sentimentos e dos sentimentos de outrem. Há de se fazer um mundo só seu, todos conhecem a sentença, mas poucos conhecem o desejo de construção daquilo que é só, seu, e só. E apenas é.
Só se pode ser feliz quando se descobre que é a liberdade de si que lhe dá alento. "Quando há muita gente em sua vida fica difícil enxergar as pessoas."
Todos nós somos aquilo e aqueles, mas ti é quem está onde outras coisas não estão. Quem procura tudo que deseja procura nada, quem nada procura procura tudo e tudo encontra sem desejar; os marcos da vida - nascimento e morte - são por natureza solitários, então assim deve ser amar.
Solidão é saudade de si.
Saudade é solidão do outro.
- Humor:
Artista nato - Música:Alanis Morissette - Everything
Uma pessoa me disse que talvez eu não me conheça.
Eu digo: não me conheço.
Mas tem alguém que me conhece.
Sabe aquele artista que escreve exatamente sobre você? Tipo o Igor com Tori Amos, ou Andy com Courtney Love. Descobri que Alanis Morissette escreve sobre mim... os motivos estão abaixo.
"A traffic jam when you're already late
A no-smoking sign on your cigarette break
It's like 10,000 spoons when all you need is a knife
It's meeting the man of my dreams
And then meeting his beautiful wife
And isn't it ironic... don't you think
A little too ironic.. and yeah I really do think..."
Ironic
“And I've never felt this healthy before
And I've never wanted something rational
And I am aware now
And I am aware now
You've already won me over in spite of me
Don't be alarmed if I fall head over feet
Don't be surprised if I love you for all that you are
I couldn't help it
It's all your fault”
Head Over Feet
“I recommend biting off more than you can chew to anyone
I certainly do
I recommend sticking your foot in your mouth at any time
Feel free
….
You live you learn
You love you learn
You cry you learn
You lose you learn
You bleed you learn
You scream you learn”
You Learn
“That I would be loved
Even when I numb myself
That I would be good
Even when I am overwhelmed”
That I Would Be Good
“You seem very well, things look peaceful
I'm not quite as well, I thought you should know
Did you forget about me Mr. Duplicity
I hate to bug you in the middle of dinner
It was a slap in the face how quickly I was replaced
And are you thinking of me when you fuck her”
You Oughta Know
“I'm broke but I'm happy
I'm poor but I'm kind
I'm short but I'm healthy, yeah
I'm high but I'm grounded
I'm sane but I'm overwhelmed
I'm lost but I'm hopeful baby
An' what it all comes down to
Is that everything's gonna be fine fine fine cos I've got one hand in my pocket
And the other one is giving a high five”
Hand in my Pocket
“Like any uncharted territory
I must seem greatly intriguing
You speak of my love like
You have experienced love like mine before
But this is not allowed
You're uninvited
An unfortunate sight”
Uninvited
“These are 21 things that I want in a lover
Not necessarily needs but qualities that I prefer
I figure I can describe it since I have a choice in the matter
These are 21 things I choose to choose in a lover”
21 Things I Want in a Lover
"Ooh this could be messy
But you don't seem to mind
Ooh don't go telling everybody
And overlook this supposed crime
We'll fast forward to a few years later
And no one knows except the both of us
And I have honored your request for silence
And you've washed your hands clean of this"
Hands Clean
- Música:Alanis Morissette - Hand in My Pocket
Assim, do nada, sem que eu percebesse nem contestasse bateu uma tristeza de dar dó. Não é cansaço, sei lá... acho que me deixa triste o fato de eu e o mundo ainda estarmos existindo exatamente como éramos ontem e o mundo em especial com tudo aquilo que não passa de um montão de cópias iguais da mesma coisa. Agora me sinto sonolento e apático, mas não é sono propriamente dito. Parece que é o sono dos outros, mas é mais de dentro. Eu até ousaria amar o fato de estar em casa, se não fosse tão real o fato de estar nesta casa.O dia hoje foi chuvoso.
Mas minha alma estava refletindo em mim.
Muitas coisas antagônicas e exatamente iguais. Vão se repetindo, se ciclando. E eu aqui: uma inútil e fraca e imbecil realidade, fantasma, nascido, sensações apáticas e todas as outras. Nadando e me afogando num Aqueronte sem ver barqueiro que me salve. Eu abstrato, cores de Kalo e Almodóvar, sem ser numa canção. Sou uma mulher viúva, e uma orquestra de mariachis.
Eu sofro a felicidade de ser eu no corpo, carinhos? Afetos? São memórias... boca a boca... Quando foi isso? Não sei. Quero uma casa no campo. Longe.
Longos dias sem ver o sol, noites ainda mais longas, a alma sem olhos à toa num caminho de pedras. As flores mortas, e a árvore jamais dará frutos. Nestas ânsias, adoentado, sofrendo neste outono pensando nas coisas que ficaram no verão.
- Humor:
...
